domingo, 7 de setembro de 2008

Carta enviada a Câmara Municipal de Natal

No dia 04 de setembro de 2008 os alunos Jéssica do 7o ano, Luanderson e Lída do 8o ano, Geisa Maiara e Josalba do 9o ano foram, acompanhadas das professoras de ciências Kátia Cilene e Rute Alves, entregar uma carta a Câmara Municipal de Natal solicitando providências com relação a contaminação da água da cidade por nitrato. Este documento contou com a assinatura dos alunos dos professores e funcionários dos 3 turnos da escola e também de alguns pais. Segue abaixo o teor da referida carta.

Excelentíssimos Srs. Vereadores da Câmara Municipal de Natal.

Nós somos estudantes, professores, funcionários e pais de alunos da Escola Municipal Professora Terezinha Paulino de Lima, localizada no conjunto Parque dos Coqueiros, bairro de Nossa Senhora da Apresentação. No mês de maio do corrente ano, foi realizada uma pesquisa com os alunos da escola e moradores do bairro sobre o consumo da água. Essa pesquisa tinha como objetivo investigar se os entrevistados utilizavam esse líquido de forma consciente ou sem se preocupar com o desperdício. Além dos questionários aplicados, foi realizado um estudo sobre a qualidade da água que consumimos. Infelizmente constatamos que a nossa água tem um alto teor de nitrato. Nossos estudos mostraram que essa contaminação se deve à falta de saneamento básico e que boa parte dos poços da cidade possui índice de nitrato superior ao permitido pela organização mundial da saúde.
Todos sabemos que a água é indispensável à vida, e os estudos mostram que o consumo do nitrato pode trazer graves conseqüências para a nossa saúde. No organismo humano, o nitrato se converte em nitrito que, por sua vez, combina-se com a hemoglobina para formar metahemoglobina. Essa substância impede o transporte de oxigênio no sangue e, em crianças pequenas e idosos, pode causar cianose intensa (metahemoglobinemia) e levar à morte. Além disso, o nível elevado de nitrato em água de poços está diretamente relacionado com a incidência de câncer gástrico. E ainda, estudos realizados na Austrália e Canadá indicaram que há relação entre o número de casos de malformação congênita com a ingestão de alta concentração de nitrato.
Diante disso, nós queremos solicitar aos senhores ­__ nossos representantes diretos, responsáveis pela elaboração da Lei Orgânica do Município, pela fiscalização e julgamento das contas do Executivo e por legislar sobre assuntos de interesse local __ que ponham em pauta com urgência essa problemática, discutam sobre esse assunto, conversem com os especialistas e vejam uma solução para esse tão grave problema. Como dissemos anteriormente, a água é indispensável à vida e, com certeza, seremos nós, a grande maioria da população de menor poder aquisitivo os maiores prejudicados.
Somos cidadãos natalenses pagadores de impostos e eleitores. Nas últimas eleições nós os elegemos como nossos representantes legais, exatamente para nos representar diante do poder executivo e defender os nossos direitos. Este é mais um ano eleitoral e apesar da grande maioria das assinaturas serem de alunos com idade inferior aos 16 anos e, portanto não eleitores, estes estudantes estão através desta ação aprendendo a exercer sua cidadania. Os senhores podem mostrar pra eles, através da resposta a esta carta, que estão realmente preocupados com os problemas que afetam a população e que trabalham na busca de soluções. Sabemos que o dinheiro não é o maior entrave, visto que muito se gasta com obras de menor importância. O que falta é o compromisso e a iniciativa para tomada de decisão.
Esta carta segue com assinaturas de alunos, funcionários, professores e pais que formam a comunidade da Escola Municipal Professora Terezinha Paulino de Lima, e todos solicitam providências urgentes. Certos de que contaremos com a disposição dos Senhores nessa empreitada agradecemos à atenção.

Atenciosamente,
Leda Camilo
Diretora da Escola

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Vida

Música e voz: Naya Elyan Nuilly da Silva - 9o ano D.
Violão: João Marcos - 9o ano A
Coreografia: Juliane - 9o ano D
Dançarinas: Grace, Viviane, Rita e Rafaela - 9o ano D.
Paródia: Boa sorte - Vanessa da Mata

Viva a vida, viva as florestas,
Todas as flores que desabrocham...

Tudo que era pra ser, não está sendo,
e a vida verde está morrendo.

Coro:
Vamos todos preservar,
os animais e as florestas,
pois jamais o mundo foi tão ruim
como estar
E você, o que fará?

Mesmo que se mova, quero que promova
uma mudança que todos vejam;
Eu quero que mude,
Reveja suas atitudes
Não polua as águas,
Deixa a vida viver.

Vida, vida, vida, vida, vamos preservar...
Pra não deixar morrer.
Vida, vida, vida, vida, vamos preservar...
Deixa a vida acontecer.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

1a Conferência do Meio Ambiente da Escola Municipal Terezinha Paulino de Lima

A primeira conferência ocorreu no dia 05/06 de 2008 na Escola Terezinha Paulino de Lima, onde teve palestras dos próprios alunos falando sobre as águas. Um professor da noite compôs uma música e apresentou. Teve uma dança do grupo da escola "pop dance" a tarde, teve também oficinas e gincana. Um grupo de alunos, "os anacrônicos", apresentou também uma música: "o ambiente".
A conferência realizou um pouco na cabeça dos alunos o desperdício de água e a poluição do meio ambiente.

Flávio Alves Dantas, 14 anos, 8o ano B.

RadiAção

Oi meu nome é Adriano, tenho 13 anos e vou falar um pouco sobre a rádio do Terezinha: a radiAção. A rádio começou numa conversa entre Gêneses, Adriano e outras pessoas. Nessa conversa agente pensou em fazer uma rádio. Conversamos com Lêda, com Jailma e lá fomos fazer uma rádio. Começamos a dividir o grupo com cada um com uma função, e a rádio tem vários objetivos:
  • Promover a participação dos cidadãos por meio de um vínculo dialógico.
  • Defender os interesses a medida que denuncia e busca soluções para os problemas enfrentados pela comunidade e pela escola.
A rádio foi inaugurada no dia 02 de junho e nós da rádio estamos preparando o CD, que já está a venda na escola, a radiação volume 1. Já estamos promovendo o volume 2 e também, em breve, teremos a rádio no turno da tarde.

Adriano Xavier Costa, 8o ano B.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Carta escrita no Ano 2070

Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém de 85. Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água. Creio que me resta pouco tempo. Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade. Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era diferente. Havia muitas árvores nos parques. As casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um bom banho de chuveiro. Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele. Antes, todas as mulheres mostravam suas formosas cabeleiras. Agora, raspamos a cabeça para mantê-la limpa sem água. Antes, meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira.
Hoje os meninos não acreditam que utilizávamos a água dessa forma. Recordo que havia muitos anúncios que diziam para CUIDAR DA ÁGUA, só que ninguém lhes dava atenção. Pensávamos que a água jamais poderia acabar. Agora, todas as nascentes, rios, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados. Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrintestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são as principais fontes de emprego e pagam os empregados com água potável em vez de salário. Os assaltos por um litro de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética. Antes, a quantidade de água indicada para se beber era oito copos por dia, por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo. A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo. Tivemos que voltar a usar as fossas sépticas, como no século passado, porque a rede de esgoto não funciona mais por falta de água.
A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não têm a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera. Com o ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter 40. Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores, o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações. Alterou-se a morfologia dos gametas de muitos indivíduos. Como conseqüência, há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações. O governo até nos cobra pelo ar que respiramos: cento e trinta e sete m3 por dia por habitante adulto. Quem não pode pagar é retirado das “zonas ventiladas”, que são dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar. Não são de boa qualidade, mas se pode respirar.
A idade média é de 35 anos. Em alguns países restam manchas de vegetação com o seu respectivo rio, que é fortemente vigiado pelo exército. A água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes. Aqui não há árvores porque quase nunca chove. E quando chega a ocorrer uma precipitação, é de chuva ácida. As estações de ano foram severamente transformadas pelas provas atômicas e pela poluição das indústrias do século XX.
Fomos advertidos que era preciso cuidar do meio ambiente, mas ninguém fez caso. Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo o quão bonitos eram os bosques. Falo da chuva e das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e lagoas, beber toda a água que quisesse. O quanto nós éramos saudáveis! Ela pergunta-me: -Papai! Por que a água acabou? Então, sinto um nó na garganta! Não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que acabou de destruir o meio ambiente, sem prestar atenção a tantos avisos. Agora, nossos filhos pagam um alto preço. Sinceramente, creio que a vida na Terra já não será possível dentro de muito pouco tempo, porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.
Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreendesse isto...enquanto ainda era possível fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!
Esta carta de autor desconhecido foi lida na
1a Conferência do Meio Ambiente do Terezinha Paulino
pelas alunas Lídia e Yaponira do 8o ano C.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Água: recurso natural renovável?

As riquezas encontradas na natureza podem ser renovadas ou não de acordo com o tempo que levam para se refazerem. Desse modo, metais como ferro, prata, chumbo e ouro não são renováveis porque levam milhares de anos para serem formados. Assim como eles o petróleo é um recurso natural não renovável e, é hoje a principal fonte de energia do mundo, sendo por isso motivo de muitas guerras. Mas não é sobre estas riquezas naturais que quero comentar aqui. Na verdade, o objetivo desse artigo é refletir sobre a questão que o intitula: Água é um recurso natural renovável?
Segundo consta a água que hoje circula no ambiente é a mesma da era geológica de quando à Terra foi habitada pelos dinossauros. Ela se encontra nos rios, lagos e mares, mas também faz parte da composição dos microrganismos, dos fungos, plantas e animais. Pela evaporação dos ambientes aquáticos superficiais e pela transpiração dos seres vivos ela passa a fazer parte da atmosfera e nas camadas mais frias se condensam, formam nuvens e retornam para a superfície terrestre em forma de chuva. Pode se infiltrar no solo e formar os lençóis freáticos que abastecem os rios e as populações ribeirinhas: homens, plantas e todos os animais que procuram as suas margens para se refrescarem. Sim, segundo consta a água é um recurso natural renovável e mais de 70 % do planeta é água.
Mas, o que dizer de toda a discussão atual sobre o consumo dessa substância? Se é um recurso renovável porque se diz que ela pode acabar? É, as vezes fica difícil compreender tanta paranóia em cima dessa temática, por isso é importante aprofundar o conhecimento sobre o assunto. E para você refletir segue algumas informações: de toda a água existente no planeta apenas 0,007 % é viável para o consumo humano, ou seja, é água doce, está no estado líquido e em locais de fácil acesso, os outros mais de 99 % são salgada ou está congelada. A população mundial hoje é muito maior do que nos séculos passados, portanto o consumo aumentou, e muito. A industrialização, o uso de produtos químicos e o lançamento de esgotos no ambiente contamina os lagos, rios e lençóis freáticos e são exatamente essas as fontes aquáticas mais acessíveis para o consumo humano. E agora? será que a água é realmente um recurso natural renovável?

Rute Alves de Sousa
Professora de Ciências